sábado, agosto 15, 2009

Joguem todos os cinzeiros da cidade no rio Tietê

Não sei vocês.
Mas eu não estou entendendo nada.

Quando foi que nos tornamos tão higiênicos?
Quando foi que o mundo ficou assim antisséptico?
Quem determinou que passássemos agora a álcool gel?

Estou me sentindo habitante de um mundo coberto de fórmica e povoado de fiscais anti-fumaça.

E o que mais me espanta não é as autoridades legislarem sobre os ares que devemos respirar... autoridades que são, exercem seu poder minúsculo em maiúsculas...

... o que me espanta mais são as fisionomias satisfeitazinhas dos cidadãos que nos informam:
Aqui você Não Pode Mais Fumar...

O arzinho guloso, satisfeito, a volúpia de exercer o controle sobre aquele Ar. Aquele Ar Puro da Cidade de São Paulo.

Achei que a lei não ia pegar, achei que era uma sanitarice besta - mas parece que pegou, parece que agradou, isso é o que espanta. As pessoas parece que adoraram esse poder de controlar o Ar.

Esse poder de Impedir alguma coisa.

Não podem impedir a imundíce do rio, a paralisia do tráfego dos 4 milhões de veículos, a insignificância da sua vidinha inútil, mas podem impedir as outras pessoas de fumar.
Poder e Glória nessa cidade imunda.

No prédio em que eu trabalho, por exemplo, no meio dessa cidade cinza, circulam diariamente mais de 2.000 pessoas. As supostas saídas de emergência estão todas fechadas por correntes e cadeados; não há porta corta-fogo; extintores nunca vi; o elevador tem uma plaquinha dizendo Acesso Exclusivo Para Deficientes, mas nunca funcionou; no corredor da minha sala tem fios desencapados que se contorcem no chão sob nossos pés; meus alunos se sufocam porque as janelas das salas estão sempre emperradas... Deve ter umas 1.000 leis municipais, estaduais e federais violadas diariamente naqule prédio fantasmagórico desde 1970, mas nunca vi nem soube que alguém tivesse reclamado.

Agora: Fumar? Não pode.

Contra isso levantam-se os ocupantes-fantasmas do prédio. Não sei onde estavam antes. Devem ter surgido dos subsolos imundos que periodcamente se inundam dos canos dos esgotos do banheiro do segundo andar que teimam em transbordar mensalmente; dali se levantam, indignados, Aqui Não Pode Mais Fumar.

Então é isso que me espanta.

A voracidade do obedecimento à lei antisséptica do anti-fumaça, como se tivessem fundado uma Suécia no meio do Bangladesh que é essa cidade louca, fedorenta e feia.

Pode tudo. Fumar não pode. Deve ser porque tudo isso que se faz contra as pretensas leis - jogar porcaria no rio, soltar diesel adulterado dos canos dos ônibus, fechar as portas de emergência com cadeados - tudo isso são burrices fortuitas, enquanto o fumar pode ser uma burrice, mas é uma burrice que dá prazer a alguém. Isso sim é imperdoável, vamos ligar agora no 0800.

Não faz mal.
Vão sorrindo seus sorrizinhos gulosos me dizendo que Aqui Não Pode Mais Fumar.

Joguem todos os cinzeiros da cidade no rio Tietê.

Não vai adiantar, ainda vamos estar chafurdando no meio da maior porcaria da América do Sul, e vocês pensando que isso é algum Estocolmo.

sexta-feira, junho 26, 2009

sexta-feira, junho 05, 2009

Sem palavras



USP, 03 de junho de 2009


quarta-feira, maio 27, 2009

Isso vai pro Lattes?

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, 
Indesculpavelmente sujo. 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, 
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, 
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, 
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, 
Que tenho sofrido enxovalhos e calado, 
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; 
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, 
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, 
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, 
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado 
Para fora da possibilidade do soco; 
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, 
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo 
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, 
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana 
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; 
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! 
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. 
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? 
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses! 
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado, 
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! 
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, 
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? 
Eu, que venho sido vil, literalmente vil, 
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

Poema em linha reta - FP, Álvaro de Campos
Para ser lido no ritmo de punk rock - Patife Band



 

domingo, maio 24, 2009

Linum usitatissimum

Esses dias estou vaidosa e sem vontade de muita elocubração. 

Então vou postar uma receita tipo "segredinhos de beleza". 
É que descobri uma coisa inacreditável, o Gel de Semente de Linhaça.

Serve para quem tem os cabelos impossíveis como os meus.
Que a linhaça tem milhares de propriedades inacreditáveis para a saúde a gente já sabe, mas que era bom de passar no cabelo, essa pra mim foi novidade. Mas faz duas semanas que estou usando esse gel e é uma coisa do outro mundo. 

Então eu joguei fora todas as porcarias feitas de silicones e petrolatuns e fiz a seguinte receita:

  1. Ferva TRÊS colheres de sopa de sementes de linhaça em UM copo de água filtrada
  2. Depois de levantar a fervura deixe CINCO minutos cozinhando, mexendo de vez em quando senão sobe, que nem leite. Vai formar uma baba impressionante.
  3. Coe tudo numa peneira. Coe imediatamente senão a baba te engole.
  4. Deixe esfriar (e se quiser coloque umas gotinhas de óleo essencial para dar um cheirinho bom; de lavanda por exemplo, que pode entrar em contato direto com a pele)
Pronto! 
A coisa fica uma baba nojenta mesmo, parece uma clara de ovo colenta. 
Mas é incrível pra passar no cabelo !!!!
Passe como gel normal. Fica duro no começo mas depois suaviza e o cabelo fica macio.

Eu coloco num frasquinho vazio de sabonete líquido, desses com pump.
Na geladeira dura uns cinco dias. 

Vantagens:
  • Barato
  • Solúvel em água
  • Totalmente biodegradável
  • Não acumula no cabelo
P.S. Também é utilidade pública.

P.S. Renascido das Cinzas

Faz tempo que não blogo aqui!
Desde Março de 2008, diz o arquivo.

E só estou blogando hoje por conta da recém-criação do Blogão de Dois. Linquei o P.S. e deu vergonha, do lado do Pífano com seus updates diários.

Desencanei mesmo de blog nesses tempos. Tá certo que nunca fui uma blogueira muito frequente, mas mais de um ano sem post, já não é mais blog.

Então vou voltando. Nesse blog sobre nada, de flashes bissextos da vida. Salve.